Eis o momento em que no ato da personificação nos tornamos uma caricatura a confundir tropegamente o autoconceito do eu em outrem. É assim que a falante enfermeira enxerga a si num monólogo com a morna estátua, que bem poderia ser com a beira reflexiva de uma lagoa. E, vaidosa, choca-se após interpelar o silencioso marfim que a vê como mero objeto de estudo, ou ainda, auto-estudo. A companhia de duas almas egocêntricamente cuidando apenas do choque ao observarem a si numa moldura.
Não posso deixar de ater-me ao monstro que sussurra diariamente nos ouvidos, que no curva nesta luta para, eretos, prosseguirmos com o dever de não frustrar expectativas sociais. Não há refúgio marítimo ou campestre que nos afaste da mácula. Buscar redenção quando não há mais alma? Nada ao rosto nos devolve o que foi tragado. Aos inocentes somente basta o silêncio.

Veja filme completo:
Direção: Ingmar Bergman
Ano:1966
País: Suécia
Gênero: Drama
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